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A rodovia que liga os maiores mercados do carro elétrico ainda não tem rede de recarga própria

As regiões Sudeste e Sul concentram a frota eletrificada do país, e seus principais mercados são costurados por uma mesma rodovia, a BR-101, que passa pelo porto por onde os carros chegam. É por esses mercados que a Rota BR 101 começa a implantar sua rede de eletropostos próprios

O Brasil emplacou 215.023 veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, alta de 125% sobre o mesmo período de 2025, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). O crescimento é nacional, mas o mapa é concentrado: São Paulo respondeu sozinho por 28,7% das vendas do semestre (61.629 unidades), seguido pelo Distrito Federal, por Minas Gerais e pelo Paraná (todos com 6,8%) e pelo Rio de Janeiro (6,0%). No acumulado do ano, o Sudeste detém 44,2% do mercado e o Sul, 18,9%. O Espírito Santo, 11º em volume, é o quarto estado em vendas por habitante.

Quatro dos cinco maiores mercados regionais do carro elétrico, e o litoral inteiro entre eles, têm um eixo em comum: a BR-101. A rodovia costura 4.658 quilômetros de costa e conecta 12 capitais, cruzando São Paulo, Rio, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. É também por ela que a frota chega: em junho, o navio BYD Changsha desembarcou 7.216 veículos elétricos e híbridos no porto de Itajaí (SC), a maior operação automotiva do terminal em 2026, que somou 15.496 veículos movimentados no primeiro semestre. Os carros entram pelo litoral e rodam pelo corredor.

A infraestrutura de recarga não acompanhou o desenho. O país chegou a 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos em junho, com 34% de carregadores rápidos (DC), mas a proporção de 19,9 veículos plug-in por ponto público, segundo ABVE e Tupi Mobilidade, é quase o dobro da referência de 10 para 1 considerada ideal pelo setor. A rede se adensou nas cidades, e a rodovia ficou para depois: no trecho da BR-101 sob concessão entre o Espírito Santo e o sul da Bahia, a estrutura instalada pela concessionária Eco101 (EcoRodovias) resume-se a seis totens de recarga lenta de emergência nas bases de atendimento. A demanda por informação confirma onde está a pressão: as buscas por “eletroposto” no Google cresceram 309% em 12 meses, com Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul entre os cinco estados que mais pesquisaram, segundo a Descarbonize Soluções.

É nesse corredor que a Rota BR 101, empresa que estrutura uma rede de eletropostos próprios ao longo da rodovia, desenhou sua primeira etapa: 20 unidades, com 100 carregadores DC de 120 kW, 200 conectores e 12 MW de potência nominal instalada. A ordem de implantação segue a frota. A rede entra pelos mercados de maior densidade, nas regiões Sudeste e Sul, onde a operação valida o modelo, e avança pelo litoral. No trecho entre a Bahia e o Espírito Santo, onde a frota é menor mas o vão de cobertura é o maior do corredor, a etapa inicial prevê presença estratégica, e a densidade acompanha a demanda.

“Começamos onde a frota está e onde a demanda já sustenta operação. A BR-101 liga os maiores mercados do carro elétrico do país, e é por eles que a rede entra. O litoral entre a Bahia e o Espírito Santo é a fronteira que a expansão alcança”, afirma Victor Rabelo, sócio fundador e diretor de expansão da Rota BR 101.

O modelo econômico explica por que a densidade importa mais que o vão. Cada unidade opera 24 horas em cerca de 3.000 m², com cinco carregadores, conveniência e cafeteria integradas, área de permanência e painéis de mídia digital, e foi desenhada para receber também quem não está carregando: o cenário-base da companhia projeta 150 clientes passantes por dia em cada unidade, 3.000 por dia na rede inicial. A recarga gera o fluxo; a permanência sustenta as demais receitas. O plano de expansão prevê 200 unidades, todas construídas do zero, sem adaptação de postos de combustível, cuja desativação enfrenta licenciamento longo.

“O eletroposto não é exclusivo do carro elétrico. A conveniência recebe todos os públicos da rodovia: a recarga é o que garante o fluxo, não o que limita”, diz Victor Rabelo.

O argumento de tempo fecha a conta. Estudo da C40 Cities com a IFC, apoiado pela ABVE, estima cerca de R$ 5 bilhões em investimentos em infraestrutura de recarga necessários no Brasil até 2035. Enquanto a rede nacional se adensa dentro das cidades, a rodovia que liga os maiores mercados do carro elétrico segue sem rede própria, e quem chegar primeiro ao corredor define onde a frota vai parar.

Negócios e Networking

Autor do Correio Vale do Café.

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