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O canteiro como argumento: por que a Fazenda do Lago mostra a obra antes de mostrar a planta

No mercado de alto padrão, o costume é vender o que ainda não existe. Às margens do Corumbá IV, o Grupo CPR apostou no contrário: começar pela infraestrutura e deixar que o canteiro fale. É uma escolha cara no curto prazo, e é nela que está a tese do projeto

Existe uma assimetria conhecida no imobiliário de segunda residência. O comprador decide sobre uma promessa, e a promessa só vira paisagem anos depois, quando a escritura já foi assinada e a infraestrutura prometida disputa orçamento com a próxima fase de vendas. A história dos lagos brasileiros está cheia de clubes que nunca saíram da maquete.

A Fazenda do Lago, distrito privado do Grupo CPR erguido às margens dos 170 km² do Lago Corumbá IV, organizou seu cronograma na ordem oposta. A infraestrutura entra primeiro, e o que o visitante encontra hoje não é uma renderização: é obra em andamento nos 3 milhões de metros quadrados do projeto. Começa pela terraplanagem, pela abertura de vias e pela drenagem, segue para as redes subterrâneas de energia e iluminação e para a distribuição de água, e chega enfim aos amenities, erguidos em sincronia com toda a infraestrutura básica.

A opção tem custo. Antecipar terraplenagem, redes subterrâneas de energia e iluminação, acessos e os primeiros clubes significa imobilizar capital antes da receita, no ponto do ciclo em que a maioria dos incorporadores prefere estar vendendo. Em troca, o projeto compra algo que folder nenhum entrega: a possibilidade de ser julgado pelo que já está de pé.

“Não dá para pedir que alguém organize a vida em volta de um clube que ainda é desenho. Por isso construímos primeiro. Quem chega aqui não precisa acreditar na gente: basta olhar em volta”, afirma Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

O canteiro também responde a uma pergunta que o comprador de lago aprendeu a fazer depois de décadas de frustração: quem garante o prazo. A resposta do projeto não é contratual, é física. A obra em curso é o único cronograma que não depende de confiança.

Há uma consequência comercial nessa ordem. Quando a infraestrutura chega antes, o argumento de venda deixa de ser o metro quadrado e passa a ser a rotina que ele viabiliza: os quatro clubes autorais, as 19 amenidades, o acesso asfaltado que mantém Brasília a 1h10 e Goiânia a 1h40. O lote continua sendo o que se compra. Mas já não é o que se escolhe.

“O cliente passa a fazer parte de uma comunidade logo na aquisição, com eventos no local, nas capitais dos estados e até em São Paulo, e desfruta de benefícios da sua concierge de atendimento. O Brasil não tem nada parecido: o cliente é o centro de tudo, depois falamos de metro quadrado”, comenta Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

É uma aposta sobre o tempo, no fundo. Empreendimentos que vendem primeiro colhem rápido e explicam depois. Empreendimentos que constroem primeiro demoram mais para colher, e não precisam explicar nada.

Negócios e Networking

Autor do Correio Vale do Café.

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