Só 2,2% dos brasileiros com renda de até um quarto do salário mínimo tinham plano de saúde médico em 2019, segundo o IBGE. A consulta pelo celular por assinatura, que na VoxCare custa R$ 24,90 por mês, abre um caminho para esse público, e mostra que o preço é só a primeira barreira
A distância entre os mais pobres e os mais ricos no acesso à saúde privada cabe em dois números. Na população com rendimento mensal de até um quarto do salário mínimo, só 2,2% tinham plano de saúde médico em 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE. Na faixa de mais de cinco salários mínimos, eram 86,8%. Para a maioria, a porta de entrada é a rede pública: na mesma pesquisa, entre os brasileiros que costumavam procurar o mesmo serviço quando precisavam de atendimento, 69,8% recorriam a estabelecimentos públicos de saúde.
É esse público, o mais distante do cuidado, que a democratização do teleatendimento precisa alcançar, sem que o serviço se limite a ele. A VoxCare é uma das empresas que apostam nesse caminho: a plataforma atende todos os públicos, da classe média alta à baixa renda, e reúne, num aplicativo com atendimento 24 horas, teleconsulta médica, apoio psicológico e orientação nutricional, além de um clube de benefícios com descontos e cashback. Para quem contrata sozinho, o plano individual custa R$ 24,90 por mês, cerca de R$ 0,83 por dia. A empresa também leva o serviço a organizações que atendem pessoas de diferentes faixas de renda, como o CEAB, escola de aviação em que os alunos em curso, do ensino a distância ao presencial, têm acesso ao aplicativo.
1. Quem fica fora do benefício
No Brasil, boa parte do acesso à saúde privada passa pelo emprego formal. Em junho, os planos de assistência médica somavam 53,1 milhões de beneficiários, uma cobertura de 25% da população, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e 38,9 milhões deles, quase três em cada quatro, estavam em planos coletivos empresariais. No mercado de trabalho, porém, a taxa de informalidade era de 37,4% da população ocupada no segundo trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. Quem trabalha por conta própria ou sem carteira assinada fica fora de um dos principais canais de acesso a um plano, o benefício pago pelo empregador.
A telessaúde repetiu esse desenho. Um painel da Saúde Digital Brasil com o Datalab da Serasa Experian, feito com dados de empresas de saúde digital, somou 7,98 milhões de atendimentos de telessaúde entre 2020 e 2025. Planos de saúde financiaram 42% desse volume; benefícios corporativos, 31%; e recursos públicos, 8%. O pagamento direto pelo paciente ficou em 1%. No levantamento, a consulta online ganhou escala onde alguém pagava a conta pelo paciente, e quase não aparece entre quem paga do próprio bolso.
“Democratizar o atendimento não é só cobrar menos. É desenhar o serviço para quem só acessa a internet pelo celular, trabalha sem carteira assinada e não pode perder um dia de serviço numa fila”, diz Sonia Cardoso, CEO da VoxCare.
2. A barreira do preço
A primeira barreira é o preço, e é nela que o modelo de assinatura mexe. Uma mensalidade de R$ 24,90 coloca um médico no celular, a qualquer hora, por menos de um real por dia, com apoio psicológico e orientação nutricional no mesmo aplicativo. É um investimento em saúde que cabe no orçamento de quem ganha pouco e também no de quem tem renda maior e busca praticidade no cuidado. Para quem vende, a conta só fecha com escala: um preço baixo depende de muita gente usando o serviço, e um dos caminhos para chegar a ela é passar por quem já a reúne.
“Preço baixo sozinho não fecha a conta. O que sustenta o modelo é chegar a muita gente pelos lugares em que ela já está, como a escola, a associação ou a empresa, e fazer com que o benefício seja usado de verdade”, afirma Sonia.
3. A barreira da conexão
A segunda barreira, a conexão, diminuiu na última década. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, 73% dos domicílios das classes D e E tinham acesso à internet em 2025, e a diferença em relação à classe A caiu de 83 pontos percentuais, em 2015, para 27. O acesso, porém, tem formato próprio: 87% dos usuários de internet das classes D e E se conectam exclusivamente pelo celular, contra 5% na classe A. No total, quase dois terços dos usuários, 65%, dependem só do aparelho.
Para quem desenha um serviço de saúde, o dado define o produto. Um atendimento que depende de computador ou de banda larga deixa de fora quem mais precisa dele. A consulta tem de funcionar no celular, com o plano de dados que a pessoa tem.
4. A barreira da expectativa
A terceira barreira é saber o que esperar. Telemedicina não é plano de saúde: não cobre internação, cirurgia, exames presenciais nem procedimentos. A Lei 14.510, de 2022, tornou a telessaúde permanente no país, e a Resolução 2.314/2022 do Conselho Federal de Medicina assegura ao médico autonomia para indicar a consulta presencial sempre que achar necessário. Dentro desses limites, a telessaúde resolve boa parte do que chega a ela: no painel da Saúde Digital Brasil, 72,96% dos atendimentos terminaram no próprio ambiente digital, sem encaminhamento presencial.
“Atender quem ganha pouco traz uma responsabilidade a mais: mostrar o caminho certo quando o caso não se resolve pelo celular. Para essa pessoa, um encaminhamento bem feito vale tanto quanto a consulta”, diz a executiva.
5. A lição para quem empreende em saúde
Para quem empreende no setor, a lição é que democratizar o acesso significa oferecer um serviço que funcione para qualquer faixa de renda, e isso exige vencer as três barreiras ao mesmo tempo: um preço que caiba no orçamento, um produto pensado para o celular e uma comunicação clara sobre o que o serviço faz e o que não faz. Resolver só a primeira traz o cliente. Resolver as três é o que dá a ele motivo para ficar.









