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Certificações ganham novo papel, e LAQI destaca impacto na gestão de PMEs

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Modelos de validação institucional deixam de ser apenas reconhecimento e passam a orientar gestão, acesso a mercado e posicionamento competitivo

Pequenas e médias empresas (PMEs) têm buscado certificações e sistemas de validação institucional não apenas para cumprir requisitos, mas para estruturar sua própria forma de operar. Mais do que reconhecimento externo, esses modelos funcionam como guias de organização interna, especialmente em mercados latino-americanos, onde esse segmento responde por cerca de 90% das empresas e 40% do PIB em economias emergentes, segundo dados da ONU.

O avanço desse movimento está ligado à multiplicação de referências globais, como normas, diretrizes e frameworks voltados ao ESG. Para muitas PMEs, no entanto, compreender esse ecossistema ainda é um desafio. “A literatura sobre qualidade e governança é vasta, mas fragmentada. Quando uma empresa olha esses modelos de forma isolada, tende a fazer escolhas imprecisas ou desalinhadas com sua realidade”, afirma Daniel Maximilian Da Costa, Founder e CEO do Latin American Quality Institute (LAQI).

Nesse contexto, iniciativas como o Instituto Qualidade com Propósito surgem com a proposta de traduzir esse conjunto de sistemas para uma linguagem mais acessível. A organização se dedica a mapear os principais modelos de validação institucional em uso no mundo e analisar seus fundamentos, funções e limites. A ideia é oferecer às empresas uma visão comparável e estruturada, sem priorizar um modelo específico.

Entre esses modelos, um exemplo é a LAQI Q-ESG Certification, uma validação institucional privada, multissetorial e transversal, orientada à análise da maturidade organizacional nas dimensões de Qualidade (Q), Ambiental (E), Social (S) e Governança (G), com base em evidências mínimas verificáveis e critérios objetivos de pontuação.

Para Da Costa, o principal valor das certificações está na capacidade de organizar a empresa a partir de critérios claros. “Certificação não é um fim em si mesma. Ela é um instrumento de leitura da própria organização. Quando bem utilizada, permite que a empresa entenda onde está, quais são seus processos e como pode evoluir com consistência”, diz.

Competitividade

A adoção desses modelos também tem impacto direto na competitividade. Em cadeias produtivas mais integradas e globalizadas, comprovar práticas de qualidade, sustentabilidade e governança pode ser determinante para acessar novos mercados, firmar parcerias ou atrair investimentos. Ainda assim, a adaptação desses referenciais à realidade das PMEs exige cuidado.

Outro ponto central é a complementaridade entre os modelos. Em vez de concorrentes, eles operam como camadas distintas de validação. Enquanto algumas certificações são técnicas e normativas, outras funcionam como compromissos institucionais ou diretrizes de reporte. “O erro mais comum é tentar escolher um único modelo como solução total. Na prática, eles se articulam. Cada um cumpre uma função específica dentro da maturidade organizacional”, afirma Da Costa.

Essa leitura integrada também se reflete em eventos e iniciativas do setor. Um exemplo é o Quality Festival 2026, que será realizado entre os dias 17 e 19 de novembro, em Santo Domingo, na República Dominicana. A edição marca uma mudança de abordagem ao estruturar toda a programação com base nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, conectando práticas empresariais a uma linguagem reconhecida globalmente.

O modelo do evento reforça a ideia de que posicionamento institucional não se resume a certificações isoladas, mas envolve a disposição da empresa em se alinhar publicamente a agendas globais e construir uma trajetória verificável ao longo do tempo. Nesse sentido, as certificações deixam de ser apenas instrumentos de validação externa e passam a integrar a estratégia de longo prazo das organizações.

Para as PMEs, esse movimento representa uma mudança de perspectiva. Em vez de encarar certificações como exigências pontuais ou barreiras de entrada, cresce a percepção de que esses modelos podem servir como estrutura de gestão e narrativa de valor. “Tornar esse campo legível é o primeiro passo para torná-lo acessível. Quando a empresa entende o que cada modelo faz, ela passa a usar essas ferramentas de forma mais inteligente”, conclui Da Costa.

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